As mortes em série de livrarias na Espanha
Governo catalão estuda abrir linhas de crédito especiais para ajudar livreiros
O Nobel de Literatura francês André Gide dizia que o mundo era, para ele, onde comprava o pão e o vinho todos os dias. As livrarias, algumas em particular, costumam entrar no conceito de mundo de muitas pessoas. A Catalònia, em Barcelona, era assim. Tanto que seu fechamento, na semana passada, depois de 88 anos de existência, comoveu a população a ponto de fazer o governo regional reagir, dizendo que estudará a criação de linhas de financiamento especiais para livreiros. Há quem diga que fechar uma livraria é como queimar livro a livro. Seguindo a metáfora, estes últimos anos de crise têm sido de incêndios. Hiperión (a única especializada em poesia da capital), La Clandestina, Democrazy, La Independiente, El Bandido Doblemente Armado, El Tragaluz e La Biblioqueta foram algumas das madrilenhas que arderam. Ironicamente, a própria Crisis (crise, em espanhol), mítica livraria especializada em quadrinhos e romance gráfico, assim como a El Aventurero, também de quadrinhos, fecharam. Na Catalunha, a Catalònia está longe de ser a primeira e, pelo que prevê o setor, tampouco a última. Áncora y Delfín, com 55 anos de história, teve o mesmo destino, como outras 24 na região. Também há as que agonizam, como a Robafaves, que empurra com a barriga tudo o que pode para não entrar nas estatísticas de fechamento — já demitiu sete trabalhadores. “Este ano vai ser duro. Mas em vez de ficarmos atemorizados, preferimos trabalhar abrindo novas frentes” diz Pilar Gallego, presidente da Associação de Livreiros de Madri.
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