A bibliofilia e os sentidos fora do texto
Preservadas por colecionadores, edições originais restituem a ‘vontade autoral’
Cheguei aos livros através da literatura. Em geral, pensa-se no contrário: através do veículo (no caso, o objeto livro), chega-se ao principal, o conteúdo nele contido. De fato, durante certo tempo, foi-me indiferente o suporte pelo qual acessava a matéria literária — até perceber que o cuidado com os detalhes da configuração gráfica da obra, ou a atenção concedida às características de determinado exemplar de um livro, também eram capazes de agregar sentido aos textos, mesmo à revelia da intenção expressa do autor. A bibliofilia pode, para alguns, significar o mero entesouramento de livros preciosos — nesse caso, seu valor cultural é nulo; limita-se a enclausurar volumes em vitrines particulares, como bibelôs enfileirados para afagar a vaidade do dono. Mas ela pode, outras vezes, propiciar o ressurgimento de autores e livros esquecidos, ou permitir que se descubram inéditas trilhas na produção de escritores já consagrados.
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