A cruzada de um sociólogo contra a mistificação de Jorge Luis Borges
Para Miceli, é ridículo querer ler a poesia de Drummond como puramente metafísico
Trinta e quatro anos depois de ter causado celeuma com uma pesquisa que explicitou as relações de Carlos Drummond de Andrade e de sua geração intelectual com o poder, o sociólogo Sergio Miceli volta ao vespeiro político-letrado com Vanguardas em Retrocesso (Companhia das Letras, 232 pp., R$ 49,50). A coletânea reúne 11 anos de leituras comparativas sobre artistas e escritores argentinos e brasileiros dos anos 1920, tendo o mestre-sala Jorge Luis Borges na comissão de frente. Ao pesquisar os escritos de juventude que Borges expurgou de sua obra completa, Miceli procura ancorar na política e na história argentina dos anos 20 uma obra que a crítica (não só local) buscou isolar do contexto sociopolítico, conferindo-lhe um status que Miceli chama de “extraterrestre”.
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