Motoboys usam poesia para dar fim a preconceito em São Paulo
Até a próxima quinta, motoboys organizam Semana da Cultura Motoboy
“De repente alguma coisa acontece; um trem passando, um pôr do sol, o próprio trânsito”, diz Andréa Sadocco, 40. Montada em sua moto Titan vermelha, ela fotografa e inventa poemas a partir de cenas que observa na cidade. Andréa foi motogirl por seis anos. Agora, se dedica às artes, mas não deixou a moto como meio de transporte. Ela é uma das integrantes do Coletivo Canal Motoboy, grupo de motoqueiros que se reúne há cinco anos para contar suas histórias na cidade. O grupo tem de socorrista do Samu (serviço de atendimento de urgência) a professor de filosofia. “Em 2004 entrei no Samu, socorrendo os meus antigos colegas de profissão”, diz Marcelo Veronez, 40, conhecido como o “Poeta dos Motoboys”. Já o Neka (Eliezer Muniz), 40, deixou de ser motoboy para estudar filosofia na USP.Hoje, ele é professor de uma escola da rede pública na periferia e escritor. O que todos eles querem é mudar a imagem negativa dos motoboys, que têm fama de perigosos no trânsito –dados da CET mostram que mais de um motociclista morre por dia em São Paulo.
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