Brasil visto pela memória
Em autobiografia, José de Souza Martins mistura sua a infância e adolescência com acontecimentos importantes na história do país
Numa manhã de verão de 1976, a inesperada descoberta de um incesto em suas origens desvendou para José de Souza Martins o sentido de uma vida de silêncios e distâncias na história de sua família de imigrantes e trabalhadores. Foi isso que o motivou a escrever Uma arqueologia da memória social (Ateliê Editorial, 464 pp., R$ 60), sua autobiografia interpretativa que mistura a memória coletiva em suas lembranças pessoais. A obra mostra uma trajetória pessoal de adversidades e superações, expondo o Brasil pela margem de dentro de seus dilemas, dias de blecaute e racionamento da Segunda Guerra Mundial, a morte de Getúlio Vargas, a greve de 400 mil em 1957. Com seu olhar microscópico e cotidiano, o autor conta sua infância e adolescência, na roça e na fábrica, traçando o retrato de uma era decisiva no advento da modernidade no Brasil: a era Vargas.
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