Morte ao amanhecer
Há 50 anos, Ernest Hemingway punha ponto final em uma vida cheia de aventuras que, transformadas em obras, ainda hoje influenciam escritores
Durante quase toda sua vida adulta, Ernest Hemingway teve um lema que serviu de norte e de guia para tudo que fez: “Il faut (d’abord) durer”. Era assim que via a vida: era preciso, acima de tudo, resistir. Até que um dia cansou, ou achou que as coisas já não tinham mais graça, ou se deixou sucumbir. Seja pela razão que for, pouco antes do amanhecer do domingo, 2 de julho de 1961, ele resolveu que havia resistido o suficiente. E como tudo em sua vida havia sido absolutamente intenso, cada minuto vivido com sofreguidão, resolveu fazer jus à própria história, indo embora de vez. Na casa de campo de Ketchum, uma cidadezinha mineira cinzenta e sem graça no Estado de Idaho, só havia silêncio. Ele foi até o armário onde guardava as espingardas e carabinas de caça, escolheu uma das favoritas, uma velha Boss de cano duplo. Continuo acreditando que, em seu tempo, Ernest Hemingway se considerava, de certa maneira, o último dos grandes cavalheiros medievais, o último dos grandes guerreiros. [O psicanalista Sérgio Telles também escreveu sobre Hemingway para o Estadão. Confira]
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