Beatriz Sarlo é estrela da Feira de Frankfurt
Feira começa na quarta-feira (6)
Buenos Aires perdeu o bonde da história. Sim, ainda é relativamente segura e homogênea, dispõe de bom transporte público e de uma vida cultural vibrante. Mas ninguém olha para ela enxergando o futuro, mas apenas o século 20. É o que defende Beatriz Sarlo, a mais influente intelectual argentina e uma das estrelas da maior feira de livros do mundo, que começa na quarta-feira em Frankfurt. Ela está lançando no Brasil Modernidade periférica (Cosac Naify, 480 pp., R$ 55 – Trad.: Júlio Pimentel Pinto), um retrato do processo de modernização por que passou o país nos anos 1920-30. Mas sua tese mais forte, desenvolvida a partir dos escritos do crítico brasileiro Roberto Schwarz, é de que a capital portenha foi o epicentro de uma “cultura de mescla” em todo o continente. Assim, por trás do surto imigratório, de urbanização intensa, alfabetização em massa e crescimento da mídia impressa se escondia uma contradição de fundo – a inadequação entre ideias importadas da Europa aclimatadas à força em um ambiente político, cultural e social que lhe era estranho.
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