John Waters, o lorde bizarro
Há seis anos sem filmar, John Waters se firma como escritor ao lançar seu nono livro, um refinado ensaio autobiográfico
Entre pilequinhos com Clint Eastwood e recordações de uma excursão nada santa ao Vaticano, as histórias compiladas pelo cineasta John Waters em Role models abrem mão do mau gosto — marca registrada do diretor de “Pink flamingos” (1972). É o refinamento que dá o tom do livro, recém-lançado nos EUA pela editora Farrar, Straus and Giroux e ainda sem data de lançamento no Brasil. A literatura virou a nova casa de Waters: só nesta década, ele publicou Art: a sex book (2003) e Shock value (2005), além de reeditar Crackpot, de 1987. Sua nova publicação é seu maior êxito literário, graças ao tom sofisticado com que critica a hipocrisia, partindo do que define como “modelos” (de sucesso ou de loucura), como o cantor Johnny Mathis e a stripper Lady Zorro. Cada texto tem um quê autobiográfico, revivendo contradições de sua mocidade em Baltimore, ao lado de um pai que ganhava a vida fabricando armas. Nesta entrevista ao Globo (para assinantes), o “rei da baixaria”, aos 64 anos, abre um baú de saudades, compartilhando reflexões e denunciando a crise do cinema autoral americano.
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