Política na biblioteca
Em livro, Horacio González imagina a Biblioteca Nacional como um aleph, um ponto em que podem ser vistas todas as tensões da história cultural argentina
Horacio González é um dos intelectuais de maior prestígio da Argentina; não há nada de estranho nisso, todos os países têm seus intelectuais de prestígio. Mas ele também é, faz vários anos, o diretor da Biblioteca Nacional. Situação bem curiosa: a Argentina não é o México, e aqui raramente os intelectuais ocupam posições de destaque no Estado (e também não é o Brasil, onde um de seus mais importantes sociólogos chegou à Presidência). González também é uma das principais figuras do grupo Carta Abierta, que reúne intelectuais relativamente próximos ao governo; fato duplamente curioso, pois ao longo da história não são muitos os intelectuais afins ao peronismo. E finalmente, agora sim na excentricidade total, em todos esses anos ele não parou de publicar livros e artigos sobre os mais variados assuntos (desde Perón até a crônica de suas viagens de táxi), escritos na melhor tradição do ensaio de ideias, cheios de erudição e com um estilo que conjuga barroquismo e agudeza. O mais recente deles, publicado há menos de dois meses, é o extraordinário Historia de la Biblioteca Nacional – Estado de una Polémica. E o que esse livro tem de extraordinário é que em suas mais de 300 páginas, González pensa – ou melhor, imagina- a Biblioteca Nacional como um “aleph”, um ponto em que podem ser vistas todas as tensões da história cultural argentina, todas as contradições, todos os combates e todas as utopias.
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