Saiu Fordlândia, um grande livro
Obra editada pela Rocco conta a fantástica história da construção e ruína de um centro agroindustrial na Amazônia
Está nas livrarias Fordlândia – Ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva (Rocco, 600 pp., R$ 56 – Trad. Nivaldo Montingelli Jr.). É uma grande obra. Conta a fantástica história da construção e ruína de um centro agroindustrial na Amazônia. Além disso, ensina como Ford, o maior empresário de seu tempo, meteu-se numa aventura que iludiu não só a ele, mas também o governo brasileiro e a opinião pública mundial. Greg Grandin, professor de história da Universidade de Nova York, ralou na pesquisa cruzando a Amazônia e os arquivos da Ford. Em 1927, Ford planejou plantar 2 milhões de seringueiras numa área de 10 mil km2 (um Líbano), com a mão de obra de 5 mil trabalhadores. Patrocinou uma das maiores queimadas de todos os tempos, ergueu um hospital-modelo e escolas. Seria um paraíso, livre das coisas que detestava: Wall Street, sindicatos, judeus e leite de vaca. Com a borracha do Pará ele controlaria o mercado mundial de pneus. Buscando uma terra sem leis ou bolcheviques, Ford foi encantado pela floresta. “Fordlândia” tem de tudo: campo de golfe, piscinas, quadras de tênis, governador paraense doando sesmarias e plutocrata paulista vendendo terras da Viúva. O investimento de dezenas de milhões de dólares seria custeado pela borracha, pela madeira e pelos minerais extraídos da concessão. Deu tudo errado.
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