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Alusão a Borges não esconde defeitos de novo Paulo Coelho

31 de julho de 2010
2 min de leitura

O livro de Paulo Coelho é infinitamente menos irônico que o do escritor argentino

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O Aleph (Sextante, 254 pp., R$ 24,90), novo lançamento de Paulo Coelho, tem o mesmo título da narrativa que dá nome ao livro de contos publicado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges no ano de 1949. Nos dois casos, o termo cabalístico se refere a um ponto do espaço que contém todos os pontos e do qual se pode contemplar, simultaneamente, a totalidade dos acontecimentos da história. Borges enxerga nesse mirante cósmico, encontrado num porão de Buenos Aires, o “inconcebível universo”, mas só consegue enumerar cenas triviais da vida privada (seu quarto vazio, cartas numa gaveta de escrivaninha) e relances de sua poética (labirintos, tigres, livros), numa ironia em relação ao alcance da imaginação literária. O Aleph de Paulo Coelho é bem mais concebível, ao menos para os crédulos leitores de livros espíritas e manuais de autoajuda: um observatório de vidas passadas que ele utiliza a bel-prazer, como um guia turístico, a bordo da ferrovia Transiberiana. Também é infinitamente menos irônico que o escritor argentino. Não existe (como havia em Borges) uma dissonância entre o autor empírico, real, e um narrador supostamente autobiográfico. Paulo Coelho crê (ou quer nos fazer crer que crê) que a violinista turca Hilal resolve acompanhá-lo nessa travessia não apenas por ser uma fã ensandecida de seu breviário esotérico, mas porque ambos estiveram frente à frente durante a Inquisição espanhola do século 15.

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