Em defesa das ideias de George Orwell
Um dos méritos de “A vitória de Orwell” é mostrar que a má vontade para com o autor britânico se deve ao espírito libertário
O escritor e crítico literário Christopher Hitchens ainda jovem tomou contato com a literatura de George Orwell, tornando-se um apaixonado defensor do polêmico autor de A revolução dos bichos e 1984, dois libelos contra governos autoritários. À medida que aprofundava os estudos, Hitchens percebia que muitas das críticas ao escritor, tido como anarquista, conservador e antiamericano, eram infundadas, fruto da excessiva radicalização de intelectuais de esquerda e direita. Passou, então, a reunir textos e artigos que desmentiam a maioria das acusações. Surgiu assim A vitória de Orwell (Companhia das Letras, 208 pp., R$ 43 – Trad. Laura Teixeira Motta), minucioso levantamento da posição política do escritor ao longo de décadas. Um dos méritos de seu livro é mostrar que a má vontade para com o autor britânico se deve ao espírito libertário, aliado ao socialismo radical e sua oposição a qualquer governo mais autoritário. Apesar de tudo estar muito claro em sua obra, ao longo dos anos vários de seus escritos foram distorcidos de acordo com interesses políticos. Muita coisa ganhou certa eternização por força do “ódio a Orwell” que surgia à medida que o escritor ia se tornando cada vez mais popular.
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