Briga de herdeiros deixa Cecília Meireles sem editora
Disputa já dura 10 anos
Num casarão em péssimo estado de conservação no Cosme Velho, no Rio, caixas e pacotes guardam livros e manuscritos da poeta Cecilia Meireles (1901-1964), que viveu ali por 18 anos. Com referências de identificação como “Originais -Crônicas” e “Roteiro do 1º cruzeiro de férias às colônias de Cabo Verde etc – 1935”, o acervo certamente esconde, segundo os herdeiros, inéditos da autora de Romanceiro da Inconfidência. Mas ninguém na família se arrisca hoje a garimpar o material para trazer a público as pepitas. O motivo é o mesmo pelo qual a obra da escritora está sem contrato com editoras: uma batalha jurídica entre os herdeiros, envolvendo incontáveis processos, que se tornou notória no mundo editorial e neste 2010 completou dez anos. Casos como esse fizeram o MinC incluir na proposta de reforma da lei de direito autoral um polêmico item para conceder uma licença de exploração de obras sem autorização de herdeiros. A última editora a ter contrato com os herdeiros para explorar a obra foi a Nova Fronteira. O acordo se encerrou no final do ano passado. Numa amostra do potencial econômico da obra de Cecilia, o último título vendido antes do fim do contrato foi uma antologia poética, da qual o governo de São Paulo comprou 400 mil exemplares por cerca de R$ 5 milhões. [Leia também Família lamenta prejuízo à obra de Cecília Meireles, mas descarta uma reconciliação]
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