Marlyse era coquete no mundo das letras
Colunista da Folha homenageia a professora de literatura Marlyse Meyer, que morreu na última segunda, aos 85
Se poucas palavras puderem descrevê-la, eu diria que Marlyse acumulava a função da beleza da mulher com a inteligência e sensibilidade do ser humano. Sempre arrumada e até pouco tempo atrás (não muito) era uma coquete no reino das letras. Estar em dois mundos era o que a caracterizava. Cozinheira/anfitriã e batalhadora pelo popular em todas as suas manifestações. Sempre teve pai de santo a lhe orientar o caminho. Sempre conseguiu distinguir a sofisticação do requinte. Ao aparecer era vista em sua beleza, elegância e glamour. Seu conhecimento do folhetim rivalizava com a sua cultura francesa. Senhora de duas nações, talvez até universal. Um dos últimos namorados seus que eu conheci era um diplomata cubano. Ou será que era político. Outros poderão escrever sobre sua obra, eu prefiro ficar na mulher que lia Marivaux no secador do Gil. Enquanto pôde andar ela ia se embelezar. A cor do seu cabelo era sempre muito linda. Seus acessórios, joias e badulaques quase nem apareciam. Também assistia novela, ouvia música clássica e popular. Nenhuma forma de expressão lhe parecia à toa.
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