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Ganhadora do Nobel propõe biografias hipotéticas

23 de julho de 2010
2 min de leitura

Aos 90, Doris Lessing revê os pais em “Alfred e Emily”

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Quando a britânica Doris Lessing foi anunciada ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2007, o coro de vaias, puxado pelo crítico americano Harold Bloom, soou bem mais alto do que os aplausos. O espírito do tempo nunca perdoou a escritora – nascida em 1917 na Pérsia (hoje Irã) e criada na Rodésia do Sul (hoje Zimbábue) – por sua adesão à ficção científica, entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, pecado ainda mais malvisto por ter vindo misturado com filosofia sufi (ramo místico do islamismo). Alfred e Emily (Companhia das Letras, 272 pp., R$ 49 – Trad.: Beth Vieira e Heloisa Jahn), que ela escreveu perto de completar 90 anos, foi seu primeiro livro publicado depois do Nobel. Ao contrário do que se poderia esperar de um escritor ativo nessa idade (os exemplos são raros), o texto de Doris corre pulsante e fluente, com ânimo raivoso, sem sentimentalismos e inconformado. Mas não teria por que existir se não fosse também compassivo. Afinal, as pessoas de quem a autora fala – Alfred e Emily – são seus pais. Boa parte da obra ficcional de Doris Lessing é autobiográfica. Por que, então, voltar aos assuntos de família? Porque em “Alfred e Emily” a escritora põe em prática uma ideia incomum: contar como teria sido a história de seus pais se não houvesse ocorrido a Primeira Guerra Mundial, que, de certa forma, os destruiu psicologicamente. Essa é a primeira parte do livro. A segunda parte reúne lembranças da vida na Rodésia.

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