Boas vendas, boas histórias
Pedro Herz diz que não se impressiona com o crescimento do e-book, mas já comprou seis, e segue observando
O livreiro Pedro Herz passou férias em Nova York no começo do ano. Como um atento pesquisador em campo, procurou em cafés, nas estações e vagões do metrô por pessoas lendo livros em aparelhos digitais. Em dez dias, garante que encontrou um único leitor usando um Kindle, o hit de vendas da Amazon. “Se o Jeff Bezos diz que está vendendo milhões de e-books, onde estão todos esses leitores? Não gostaram da experiência? Não se deram bem com ela? Você não vê ninguém com esses readers. Ler no papel é mais gostoso.” Estávamos no fim de uma refeição composta por elementos triviais – arroz, feijão, couve refogada com bacon, banana à milanesa e farofa – , preparada com rigor e esmero, à mesa de outro símbolo daquilo que a cidade tem de melhor – o D.O.M. Dono da Livraria Cultura, conhecida pela completude sempre renovada de seu imenso repertório de títulos e também por ter transformado a compra de um livro em programa cultural, Herz tem lá suas razões para desconfiar dos e-books. Construiu um bem-sucedido negócio de R$ 270 milhões anuais ancorado numa mercadoria milenar. Mesmo assim, admite que gostou da experiência de leitura num aparelho eletrônico. Aliás, já tem “meia dúzia” em casa. “É uma ferramenta incrível.” O primeiro livro eletrônico que leu foi escrito por seu melhor amigo, o psicanalista Contardo Calligaris, obra de ficção ainda inédita.
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