SEB vende sistemas de ensino para Pearson
Grupo britânico paga quase R$ 900 milhões para ficar com o principal ativo da empresa, que deverá ter o capital fechado
Dez dias após a compra do Anglo pela Abril Educação, o mercado de sistemas de ensino deu mais uma demonstração do quanto está aquecido. Ontem, a britânica Pearson, que também esteve na disputa pelo Anglo, anunciou a aquisição dos sistemas de ensino COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name que pertenciam à SEB – Sistema Educacional Brasileiro – em uma transação de R$ 888 milhões, sendo R$ 613 milhões a serem pagos aos controladores e o restante aos minoritários. Trata-se da maior negociação já fechada na área de ensino no país. Desde que desembarcou no Brasil, em 2006, a Pearson vinha tentando comprar a SEB e outras empresas brasileiras de ensino. No total, foram cerca de dez tentativas frustradas. “Enfim, compramos”, disse, aliviado, Guy Gerlach, presidente da Pearson Education Brasil. A ideia inicial do grupo britânico – que é dono do “Financial Times” e da “The Economist” – era adquirir a totalidade da SEB, mas seu principal controlador e fundador Chaim Zaher nunca se mostrou interessado em vender a empresa, tampouco em dividir o controle com um sócio estrangeiro. Porém, com a compra do Anglo, Zaher teria mudado de ideia e oferecido sua divisão de sistemas de ensino para a Pearson pelo mesmo valor que a empresa britânica havia ofertado pelo grupo todo. Apesar da oferta de comprar menos ativos e pagar a mesma quantia, a Pearson não pestanejou e em dois dias a transação estava concluída. O interesse da Pearson não é à toa. A margem operacional no mercado de sistemas de ensino chega a ser de até 50%. No SEB não é diferente. A divisão de apostilas e metodologias de ensino representa a maior parte da lucratividade. Nos últimos 12 meses, o lucro bruto do SEB somou R$ 171 milhões, mas R$ 114 milhões são provenientes dos sistemas de ensino.
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