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Diálogo cultural sem intermediários

17 de julho de 2010
2 min de leitura

Trabalho com línguas menos difundidas no Brasil é movido por demandas políticas, acadêmicas e afetivas

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Professor do Departamento de Letras Orientais da USP, o arabista Mamede Mustafa Jarouche viu seu campo de estudos ser revolucionado nos últimos anos pela “dimensão política” da tradução apontada por Rubens Figueiredo. Autor da única versão direta do árabe para O livro das mil e uma noites, cujo quarto volume será publicado em breve pela editora Globo, Jarouche assinala as transformações provocadas pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos e pela nova correlação de forças internacionais que se desenhou desde então. “O primeiro volume da tradução de O livro das mil e uma noites saiu em 2005, num momento em que se colocava a necessidade de o Brasil dialogar diretamente não só com Europa e Estados Unidos, mas também com Oriente Médio, Ásia, África. Houve um aumento da demanda pelo conhecimento de outras culturas, e a questão da tradução direta de idiomas orientais adquiriu urgência. Acredito que essa demanda se estendeu a outros idiomas ‘não centrais’”, diz Jarouche. Essa nova demanda teve consequências imediatas na formação acadêmica oferecida aos tradutores e especialistas em cultura árabe no Brasil, observa Jarouche.

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