Palavras precisas e críticas ao fascismo econômico
O inglês John Berger fala de seu romance mais recente, no qual prisioneiros políticos são chamados de terroristas
“Não quero aumentar a confusão”, diz o escritor inglês John Berger, de 83 anos, explicando os longos silêncios que pontuam sua fala. A preocupação com a escolha das palavras assume para ele um sentido de militância política contra a barafunda linguística que, afirma, esvaziou de sentido nos últimos anos noções fundamentais como “democracia” e “liberdade”. Outra palavra central da vida política contemporânea, “terrorismo”, funciona como o eixo de seu romance De A a X – Uma história contada em cartas (Rocco, 224 pp., R$ 34 – Trad. Hugo Langone), finalista do Prêmio Booker em 2008 e agora lançado aqui. O livro inverte a retórica da guerra ao terror iniciada no governo Bush: apresenta um mundo distópico no qual a democracia, em vez de ser ameaçada de fora, é implodida por governos autoritários que esmagam a dissidência política.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


