O livro dos anos rebeldes
Gilberto Braga relata o processo de criação da série, que sofreu pressão do Exército e inspirou os caras-pintadas
Revisitar um programa de televisão em livro é iniciativa que raramente vale o papel. Anos Rebeldes, a minissérie de Gilberto Braga que a Globo exibiu em 1992 no pré-impeachment de Fernando Collor, é uma dessas raridades e não meramente por ter marcado uma época. Marcou duas: a dos anos de chumbo retratados no programa (de 1964 a 1971, com breve flash da anistia em 1979), e, por acaso, aquela em que foi exibida, quando inspirou os pacatos estudantes da temporada a sair do sofá, pintar a cara e tomar as ruas para engrossar o coro de “Fora Collor” ao som de Alegria Alegria, tema de Caetano Veloso que abria a minissérie. A larga lista de conquistas bastaria para explicar por que Anos Rebeldes – Os bastidores da criação de uma minissérie (632 pp., preço a definir), que a Editora Rocco lança esta semana, é de uma riqueza de detalhes nunca antes vista na arte de dissecar um roteiro feito para a televisão. Lá está a reprodução na íntegra de todo o script dos 20 capítulos da série, acompanhada da análise de seu criador, Gilberto Braga.
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