Dinamarquês reflete sobre a ficção contemporânea brasileira
Pesquisador destaca autores como Bernardo Carvalho, Luiz Rufatto, Milton Hatoum e Cristóvão Tezza
Como registra a nossa historiografia crítica e literária, alguns olhares estrangeiros foram determinantes para a tradução e afirmação da literatura e da cultura produzidas no Brasil. Alguns desses olhares nos legaram exímias leituras das nossas letras e assinaram a autonomia da literatura brasileira, como atestam, no século 20, os textos de ensaístas como o alemão Willi Bolle e a italiana Luciana Stegagno Picchio, entre outros. Assim como eles, o professor, tradutor e ensaísta dinamarquês Karl Eric Schollhammer pesquisou sobre a nossa literatura, elegendo como objeto de sua reflexão a prosa escrita no Brasil a partir dos anos 70. Os resultados dessa pesquisa podem ser aferidos no livro Ficção brasileira contemporânea (Civilização Brasileira, 176 pp., R$ 29,90). O volume integra a coleção Contemporânea, cuja organização do professor e escritor Evando Nascimento projeta a edição de 20 volumes. Na leitura de Karl Eric, esse novo cânone realista é inaugurado por Rubem Fonseca no século 20, e dele fazem parte novos autores como Bernardo Carvalho, Luiz Rufatto, Milton Hatoum e Cristóvão Tezza. Segundo o autor, esse “novo realismo se expressa pela vontade de relacionar a literatura e a arte com a realidade social e cultural da qual emerge, incorporando essa realidade esteticamente dentro da obra e situando a própria produção artística como força transformadora”.
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