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Amigo poeta

29 de maio de 2010
2 min de leitura

Folha localiza correspondentes anônimos de Drummond em pesquisa de arquivo e conta como criaram relação com o escritor por meio de cartas

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Num papel de carta decorado com adesivos de bichinhos, uma zootécnica de Rio das Ostras (RJ) escreveu, em 16 de fevereiro de 1987: “Querido Drummond, tenho certeza que você sabe o quanto me senti feliz em receber seu livro. Eu esperava que você me respondesse, mas não acreditava. Entende, né? Quase morri. Foi muito bom”. Ela então relata como a correspondência lhe deu sorte, fala do novo emprego na prefeitura, da mudança de casa, do namorado, das leituras. Abre o coração. “Eu poderia te escrever melhor, mas é que [neste ponto a escrita é interrompida pelo adesivo de um ursinho] quero te escrever como falo, senão não faz sentido. Aí, me perco.” Ela se despede com “muitos beijos carinhosos” e deseja “tudo de bom”. A zootécnica de Rio das Ostras, que não foi localizada pela reportagem (assinava Soraia Leraik), é um dos 1.812 correspondentes de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) registrados no arquivo do poeta na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio. A Folha revirou os arquivos e, a partir da correspondência passiva, encontrou alguns desses interlocutores nem tão célebres.

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