Freud na berlinda
Livro do francês Michel Onfray contra o pai da psicanálise gera polêmica antes mesmo de chegar às livrarias
Inventor do inconsciente, que via como “o pressuposto fundamental da psicanálise”, Freud é, mais uma vez, o alvo de um ataque violento que tenta, ao mesmo tempo, dinamitar o homem e a obra. Desta vez, a bomba foi lançada pelo filósofo francês Michel Onfray e se chama Le Crépuscule d’une Idole – L’Affabulation Freudienn” (Grasset, 624 pp., R$ 52). No livro, lançado na quarta passada, Onfray se entrega com indisfarçável deleite ao ataque contra Freud e o freudismo. O autor, que se tornou um best-seller com livros de vulgarização da filosofia, traça o que ele chama de “psicobiografia nietzschiana de Freud”. Para isso, leu toda a obra de Freud mais a correspondência e pretende provar que “a psicanálise funciona como uma metafísica de substituição num mundo sem metafísica e oferece elementos para a construção de uma religião numa época do pós-religioso”. Antes do lançamento, o mundo intelectual francês já debatia o livro na imprensa. Revistas semanais chegaram a dar reportagens de capa. Freud na capa é sempre sinônimo de boas tiragens, sobretudo quando há uma polêmica de peso. Para a historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco, “o livro é um odioso panfleto antifreudiano que favorece a proliferação dos boatos mais extravagantes”. Ela acusa o autor de maniqueísmo, colocando os “bons” antifreudianos de um lado e, do outro, os “maus”, adeptos de uma fabulação.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


