Gawande e os M&Ms do Van Halen
Médico faz defesa apaixonada e metódica das listas de procedimentos
David Lee Roth, vocalista da banda Van Halen, exige dos promotores de concertos que disponham uma tigela de M&M’s no fundo do palco. Detalhe: todos os confeitos da cor marrom devem ser retirados da vasilha. O contrato diz que basta um marronzinho para cancelar o show, com prejuízo total para o organizador. Ninguém espera encontrar informações como essa num livro sobre medicina. No caso de Atul Gawande, um de meus autores preferidos, detalhes são parte essencial de seu estilo e eficácia. Quem duvidar que leia a tocante reportagem sobre a contribuição da coceira para a neurociência na última edição da revista “Piauí”. O caso dos M&M’s está no livro The Checklist Manifesto – How to Get Things Right (Picador, 224 pp. US$ 15). É o terceiro do médico e jornalista da revista “The New Yorker”. Em Checklist, como entrega o título, o médico americano faz uma defesa apaixonada e metódica das listas de verificação de procedimentos. E o que os M&M’s de Van Halen têm a ver com isso tudo? Gawande explica que a aparente excentricidade de David Lee Roth não passa de um estratagema. Seu propósito é forçar os produtores a usar listas de verificação. Ou, pelo menos, a serem muito meticulosos.
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