Manoel de Barros, o poeta que veio do chão
LeYa reedita a obra de Manoel de Barros e lança livro inédito
Manoel de Barros jamais gostou de ser chamado de “poeta do Pantanal” ou, pior ainda, “poeta pantaneiro”. Aos 93 anos, com livro novo, Menino do mato, e sua Poesia completa (LeYa, 96 pp., R$ 29,90 e 496 pp., R$ 69,90, respectivamente), ele diz que pela primeira vez usou a palavra Pantanal num verso. Mas não é à beira d’água ou no brejo que o poeta mora, e sim numa casa de muros de tijolos na zona norte de Campo Grande. É como se quisesse guardar apenas na geografia da infância sua ligação com rios, bichos e plantas. Até os 8 anos, morou numa fazenda perto de Corumbá, em cujo chão brincou com as criaturas que tanto aparecem em sua poesia: sapos, formigas, lesmas, passarinhos, borboletas. Quando adulto, nos anos 50, morou ali por mais dez anos sem escrever um verso sequer – até que pudesse “financiar o ócio”, ou seja, ter dinheiro para se mudar e sobreviver como poeta. Quando entra no pequeno escritório no andar de cima da casa, graceja: “Aqui é meu lugar de fazer o inútil.”
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