Um autor tragado pelo cinema
Cabrera infante, que amava Alfred Hitchcock e Orson Welles, fez de seus livros uma sessão contínua de filmes
Ele foi o Joyce cubano. O que Joyce fez com a Dublin de 1904, ele fez com a Havana de 1958; com uma dose superlativa de humor. Três tristes tigres é o Ulisses caribenho, o retrato de Havana quando “vieja” (a Havana pré-revolucionária, feudo de Fulgencio Batista e quintal dos EUA, a Havana dos cassinos, dos boleros de Beny Moré e Olga Guillot) e de Guillermo Cabrera Infante quando jovem. Ele já tinha 30 anos quando Fidel botou Batista para correr. O livro é uma montagem de vozes cubanas, no auge da dolce vita havanesa. Seu primeiro acorde é a saudação bilíngue do mestre de cerimônias do cabaré Tropicana; na outra extremidade, o monólogo obsessivo de uma louca. Seus quatro narradores (um galã de radionovelas, um paparazzo da boemia noturna, um “conguero” priápico e um escritor moleque, alter ego do autor) vieram, como o próprio Cabrera Infante, do interior da ilha, atraídos pela “féerie” da capital, que percorrem a bordo de um Buick conversível, sonhando com sexo, dinheiro e show business.
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