Com eles, não tem nenhum Acordo
Autores brasileiros e lusófonos se levantam contra a reformulação gramatical vigente desde janeiro
Desde janeiro, quando o Brasil iniciou oficialmente o prazo para a adaptação ao Acordo Ortográfico, jornais, editoras e autores se apressaram para se adaptar às novas normas. A correria tomou redações, editoras e o público comum. Sem se importar com o frenesi ao seu redor, algumas publicações, porém, ignoraram solenemente a imposição, como o Dicionário amoroso da língua portuguesa, lançado em maio – imensa orgia ortográfica entre 35 autores de diferentes nações lusófonas, que, na contramão do Acordo, teimava em respeitar as peculiaridades linguísticas de cada região. Último produto desta safra de “dissidentes”, a coletânea Desacordo ortográfico (Não Editora, 208 pp., R$ 27) com organização de Reginaldo Pujol Filho com textos de Gonçalo M. Tavares, Marcelino Freire, Luis Fernando Veríssimo, Ondjaki, Pepetela entre outros, parte do mesmo princípio: longe de unificar o idioma, traz 19 escritores de cinco países (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé) em um português absolutamente heterogêneo. “Para mim, o mais fascinante da escrita é a estranheza, o diferente, o esquisito”, explica o escritor gaúcho Reginaldo Pujol, organizador da antologia. “Quem dá importância demais para o igual, o certinho, não pode gostar de literatura”.
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