Mínima teologia
No livro Do pensamento no deserto, o filósofo Luiz Felipe Pondé faz uma crítica não reacionária da cultura moderna.
Os ensaios de Do pensamento no deserto (Edusp, 264 pp., R$ 52) marcam a trajetória biográfica e intelectual de Luiz Felipe Pondé entre 2000 e 2006, por meio de pensamentos que, segundo indica o título, foram gestados e articulados no deserto. Ora, desértica é a paisagem sem água e vegetação, um lugar de esterilidade, das mais penosas e agrestes condições em que a vida mal pode se manter à custa de supremo esforço. A imagem é apropriada para traduzir uma interpretação do mundo despojada de ilusões éticas consoladoras, embebida de um pessimismo haurido na frequentação de textos gnósticos e místicos, bem como no corpo a corpo com a literatura sobre o niilismo. Trata-se de um pensamento que, por desacreditar na espécie humana, não partilha a moderna confiança ilustrada na história como progresso moral infinito do gênero humano – um ideal que, em versão leiga, teria como télos a construção do reino de Deus na Terra.
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