Jean Grenier e Camus, ou a filosofia à beira-mar
Edição brasileira de As ilhas convida à reflexão sobre amizade entre os escritores
É excelente que o Brasil possa ler As ilhas, de Jean Grenier (1898-1971), publicado em 1933. E também que a “ressurreição” dessa obra coincida com o cinquentenário, próximo, da morte de Albert Camus (1913-1960). Não só a obra de Grenier e a de Camus podem ser lidas como se fossem uma o reflexo da outra, mas, além disso, os dois se conheciam muito. O jovem Albert Camus foi aluno de Jean Grenier em Argel, antes da guerra. Para Camus, As ilhas (Perspectiva, 176 pp., R$ 38 – Trad.: Aimeé Amaro de Lolio) foi um desses “choques” que impelem um estudante a escrever e, mais tarde, receber o prêmio Nobel. Ao falar sobre os entrelaçados e as bifurcações que ligam uma à outra as obras dos dois escritores, o prefácio de Patrick Corneau é consistente. Mas tem um inconveniente: Corneau inicia seu texto observando que Jean Grenier é uma “tonalidade, uma voz”.
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