A aldeia melancólica de Amós Oz
Escritor israelense tece trama de trajetórias inconclusas
Amós Oz, o mais famoso escritor israelense, é muitas vezes considerado merecedor de um Prêmio Nobel. Não aconteceu neste ano, mas ele continua a escrever. Acorda todo dia às 5 horas e caminha pelo deserto de Neguev, que faz limite com a pequena cidade de Arad, onde mora desde 1986. Depois vêm o café e as longas horas de trabalho. No fim da tarde, caminha de novo pelo deserto com a mulher, Nily, para ver o pôr do sol. Não usa e-mail nem internet. Fala com carinho do deserto, cuja paisagem, segundo ele, é a mesma há milênios. Arad é uma cidade planejada fundada nos anos 60, mas já tinha sido habitada por judeus desde 1921. Ela parece ter inspirado as histórias de Cenas da vida na aldeia (Companhia das Letras, 181 pp., R$ 38 – Trad. e notas: Paulo Geiger). O romance fala da vida de habitantes de uma aldeia nas montanhas chamada Tel Ilan. Cada capítulo concentra-se num grupo de personagens diferente, acompanhando seus desafios, tristezas, atividades. Mas todos eles acabam reaparecendo ou se cruzando no desenrolar da narrativa, como de resto costuma ocorrer à medida que os poucos habitantes de uma pequena vila vivem o avanço das horas e dos dias num reduzido espaço urbano.
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