A alma gaúcha do Zé Carioca
Homenageado da sexta edição do Festival Internacional de Quadrinhos, que começa terça-feira, em Belo Horizonte, Renato Canini foi o responsável por abrasileirar personagem de Walt Disney
O Pato Donald já foi à Bahia. E ao Rio de Janeiro. Isso faz tempo, há mais de 50 anos, e quem bancou o guia turístico foi Zé Carioca, personagem criado por Walt Disney no início dos anos 1940, em uma estratégia conhecida como política de boa vizinhança, cuja finalidade era estreitar os laços comerciais entre os Estados Unidos e os países da América Latina. De chapéu, paletó, gravata e guardachuva, o tal papagaio carioca nunca pareceu muito à vontade sob o sol escaldante do Rio de Janeiro. A simpática ave só viria a se tornar um carioca, mesmo, na década de 1970, nas histórias em quadrinhos escritas pelo paulista Ivan Saidenberg (que morreu na última quarta-feira) e ilustradas pelo gaúcho Renato Canini, que abrasileirou o personagem americano. Mesmo, ironicamente, sem nunca ter vindo ao Rio de Janeiro. “Ainda não conheço o Rio e sempre desenhei a cidade por cartão-postal”, diz Canini, rindo, em entrevista por telefone, de Pelotas, cidade em que vive há 13 anos.
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