O americano dá sua risada
Saul Bellow cria um herói sem metas em As aventuras de Augie March
Como quem se intromete petulantemente na eterna e fútil disputa pela criação do “grande romance americano”, Saul Bellow (1915-2005) inicia As aventuras de Augie March (Companhia das Letras, 704 pp., R$ 67 – Trad.: Sonia Moreira) com uma frase definitiva: “Sou americano, nascido em Chicago – Chicago, aquela cidade sombria -, e faço as coisas do jeito que aprendi sozinho a fazer, estilo livre”. Bellow não apenas se afirma americano, mas também judeu, com seu herói educado em meio à pobreza e às tradições da Europa Oriental. “Essa foi a primeira vez na literatura americana que um imigrante agiu e pensou como um legítimo descobridor e pioneiro”, informa Christopher Hitchens no ensaio que abre esta edição. Foi também o primeiro grande sucesso de Bellow, publicado originalmente em 1953 e que sai agora no Brasil em ótima tradução. Por ele o autor recebeu o National Book Award e tornou-se um dos principais escritores dos Estados Unidos (embora nascido no Canadá) no século XX, posição corroborada pelo Prêmio Nobel da Literatura de 1976.
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