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Uma bíblia luxuriante da violência

13 de setembro de 2009
2 min de leitura

Meridiano de Sangue é a representação poética do homem de moral sem limites

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Se depender do bom senso, da vitória da qualidade sobre o politicamente correto, o próximo escritor estadunidense a ganhar o Prêmio Nobel será Cormac McCarthy. Seus dois últimos romances publicados no Brasil não vaticinam essa afirmação – A estrada e Onde os velhos não têm vez são narrativas irregulares, cansadas; asmáticas até. No entanto, com a nova edição da obra-prima da violência e do delírio Meridiano de sangue (Alfaguara, 352 pp., R$ 49,90) a percepção de McCarthy mudará radicalmente. Ele é um excepcional artista, vivaz e engenhoso, um prodígio da linguagem; e apesar da ótima tradução ter optado pela fluidez – não tem a mesma voragem bíblica do original -, a legibilidade da versão não diminui o impacto de toda exuberância catastrófica que esse romance representa. Se Deus é a guerra, como afirma o Juiz Holden, se realmente a violência é divina, Meridiano de sangue é uma Bíblia laica luxuriante. Vinicius Jatobá é crítico literário.

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