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Poemas póstumos de um ex-concretista

12 de setembro de 2009
2 min de leitura
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Lançamento de Entremilênios deixa a imagem de um Haroldo de Campos poeta de vanguarda

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Nébula, épura, eversor, nelumbo, puníceo, êxul, pileu, quício, paul fantasmal, lêmures sonados, pâmpanos, euxino, nitrido, dolosa maranha: estou lendo Haroldo de Campos. São palavras que surgem ao longo de muitos poemas de Entremilênios (Perspectiva, 254 pp., R$ 55), livro publicado postumamente, que projeta um poeta de vanguarda com matriz arcaica, fenômeno talvez não surpreendente na cultura brasileira. O vocabulário preciosíssimo do poeta tampouco é novidade para os seus leitores. Com relação ao livro Galáxias (1984), por exemplo, Armando Freitas Filho, em raro momento de crítica, foi incisivo: “Perto desse metatexto, dessa verborréia tatibitate, dessa metástase verbal, Coelho Neto é pinto, Rui Barbosa é pouco.” Além das dificuldades intrínsecas aos poemas de Haroldo de Campos, o leitor de Entremilênios deverá enfrentar questões como o critério de organização e a fixação dos textos. Neste último caso, a publicação de alguns facsímiles bem demonstra a complexidade de se distinguir os versos de um poema do conjunto de anotações marginais e até mesmo de referências bibliográficas.

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