A linguagem da exceção
LTI – A linguagem do Terceiro Reich (Contraponto, 428 pp., R$ 60 – Trad.: Miriam Bettina Paulina Oelsner), de Victor Klemperer (1881-1960), até pode ser tachado como mais um livro sobre o nazismo, mas deve-se reconhecer que ele ocupa um lugar único nessa categoria. A razão da singularidade está na própria trajetória de Klemperer: professor universitário especializado no iluminismo francês, filho de rabino, convertido ao luteranismo e que passou a quase totalidade dos 12 anos de nazismo na Alemanha sem precisar esconder-se nem ter sido levado a um campo de concentração. O “privilégio” se explica pelo fato de ele ser casado com uma ariana, o que, pelas leis de Nuremberg, lhe dava a possibilidade de viver nas “Judenhäuser” – as casas de judeus -, nas quais as pessoas eram submetidas a um regime brutal de trabalho escravo e proibições, mas tinham a chance de sobreviver.
Klemperer foi capaz de dar um sentido histórico às suas impressões, sem perder o aspecto anedótico.
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