Uma crônica da morte anunciada
Soledad Barrett Viedma deve ter sido uma personalidade instigante, caso contrário teria sido impossível criar um personagem tão extraordinário – para, em torno dela, revisitar, como faz Urariano Mota em seu livro Soledad no Recife (Boitempo, 120 pp., R$ 29). O livro conta a chacina de militantes na Chácara São Bento, na periferia do Recife, em 1973, quando um grupo de operativos da ditadura militar e do Dops paulista, sob o comando do delegado Sérgio Fleury executou seis membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Tendo sido capturados em lugares diferentes, os militantes apareceram como se tivessem sido mortos num tiroteio. O título poderia ter sido apenas o registro e a desmontagem da farsa montada em torno desse crime brutal. Contudo, o romance de Urariano vai muito além. Recompõe o sacrifício da militante e de seus cinco companheiros para tratar da resistência à ditadura sob ângulos inesperados.
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