Tristeza americana
John Updike (1932-2009) é sempre lembrado quando o assunto é a vida minúscula nos subúrbios americanos. Com efeito, o protagonista de sua tetralogia sobre o fim do sonho americano, Harry “Coelho” Angstron, ilustra como nenhum outro a modorrenta existência suburbana que enterra a classe média americana. No entanto, outros pisaram nesse terreno antes dele. São seus antecessores John Cheever (1912-1982) e Richard Yates (1926-1992), redescoberto por conta da recente adaptação cinematográfica de seu Revolutionary Road. Como todos esses ficcionistas morreram, é justo que o prefaciador do último preserve a tradição de revisitar o subúrbio em busca da América profunda, aquela que vive da degradação interior dos seus massacrados. Esse escritor é Richard Ford, premiado com o Pulitzer e autor de O sal da terra (Record, 602 pp., R$ 69,90 – Trad.: Maria Beatriz de Medina), livro que encerra a trilogia sobre outro “Coelho” do subúrbio, o personagem Frank Bascombe. Sobre ele, Ford conversou por telefone com o Estado.
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