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Língua solta

06 de setembro de 2009
2 min de leitura

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Providenciar a máquina de portunhol selvagem foi moleza. Difícil mesmo foi fazer o trajeto Assunção-Rio de Janeiro, de ônibus, com aquela sucuri de três metros na bagagem. “El Domador de Yacarés perdeu la linguita da cobra no caminho”, acusa “Don” Douglas Diegues, enquanto tenta pendurar o bicho de papelão na parede da Casa da Gávea, com a ajuda do companheiro. Ele e El Domador vieram da capital paraguaia por um motivo nobre: o primeiro encuentro de portunhol selvagem no Rio – a City Maravishoza -, na última terça-feira, dia 1º. Don Douglas e El Domador são as figuras centrais do portunhol selvagem, nomenclatura de definição nebulosa. Na prática, trata-se do exercício de fazer arte com a mistura de línguas e sotaques que reina na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Uma tentativa de fala libertária, que agrega gírias em inglês à oralidade caudalosa do guarani, com adeptos que se encontram em lugares como a Mercearia São Pedro, reduto etílico da intelectualidade paulista, ou em círculos de escritores de Florianópolis, onde teve origem a editora La Katarina Kartonera, que produz livros em papelão, no molde de suas hermanas.

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