Coletânea de Dahmer ironiza a solidão
O mundo é duro. Dito isso, nada impede que se possa rir dele. É isso que faz o carioca André Dahmer, que ficou conhecido com os quadrinhos Malvados e que agora lança A cabeça é a ilha (Desiderata, 152 pp., R$ 34,90). O livro coleta tiras que abordam a solidão, a timidez e a carência do ser humano – e consegue criar humor em cima desses temas. “Venho tratando com ironia essa dureza do mundo”, afirma Dahmer. “O livro não é uma apologia da solidão, mas uma crítica da solidão.” A cabeça é a ilha é uma coletânea de tiras. Algumas não têm personagens fixos, mas outras contam com tipos como Ulisses ou Sara, a Sofrida. Ulisses foi abandonado por sua amada Rebeca e faz de tudo para esquecê-la – inclusive roubar um barco com 10 mil garrafas de vinho e passar meses distante da sociedade. Sara, a Sofrida, por sua vez, é uma mulher que se julga feia, velha, desinteressante e abandonada. São pessoas que, como diz Dahmer, “vivem na cidade e não têm ninguém naquele formigueiro de gente”.
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