A família no centro da revolução
Há alguns anos, o jornalista e historiador britânico Simon Sebag Montefiore teve o duvidoso prazer de descobrir, por meio de uma nota na imprensa americana, que o ex-presidente George W. Bush lia em voz alta para a mulher, Laura, toda noite, seu livro Catherine the Great & Potemkin (2004). O fato de ter conquistado até mesmo Bush revela o sucesso da tendência recente que transforma livros de história, antes vistos como “chatos”, em saborosos best sellers “highly readable”, que podem ser lidos como um romance. Se tantos historiadores se esforçam para se transformar em romancistas, não há como se criticar a mais nova iniciativa de Montefiore com Sashenka (Suma de Letras, 488 pp., R$ 57,90 – Trad.: Paulo Afonso): usar o saber adquirido em horas infindas em arquivos empoeirados e partir diretamente para o romance, sua primeira incursão no gênero. O livro é dividido em três partes, num painel dos eventos que moldaram a Rússia moderna.
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