Patativa do Assaré fez também versos políticos
Não se sabe se o documentário “Patativa do Assaré – Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry, terá em outros Estados a mesma força que teve em sua terra natal. Foi apresentado há dois anos no Cine Ceará e recebeu rara consagração popular. Agora é ver se essa emoção viaja bem do Nordeste ao Sudeste. Em tese, não tem por que não viajar. Afinal, somos todos brasileiros e a mensagem de Patativa, nascido Antonio Gonçalves da Silva, profundamente regional, não deixa de ser universal. Tanto é que seus versos têm sido estudados em outros países, inclusive na douta França, como o filme registra. Mas, no fundo, esses depoimentos têm apenas caráter ilustrativo. Indicam que a arte popular pode ser apreciada por pessoas de cultura mais, digamos, formal, mesmo que se expressem em outro idioma. O Patativa que aqui surge tem muitas faces. Mas delas, a que mais sobressai é a política. Como se o filme fizesse uma leitura de esquerda do personagem, viés que não deforma a sua trajetória. [Patativa do Assaré foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. Tem livros publicados pelas editoras Vozes, Ática, Escrituras, Global e Democrito Rocha. Sendo que a maior parte da sua obra pertence ao catálogo da editora Hedra.]
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