Os segredos que o tempo revela
Alguns livros podem, e devem, ser lidos de trás para frente – ao revés -, e Memórias secretas da princesa do Brasil (Phoebus, 247 pp., R$ 36), de José Presas, é exemplo gritante dessa prática pouco usual. Escrito em 1830 pelo ex-secretário particular de Carlota Joaquina, que diz ter “trabalhado diariamente ao lado da princesa por quase quatro anos”, de 1808 a 1812, a obra não passa do relato de um ressentido que, diante do não recebimento do salário (cuja conta apresenta em detalhes), resolve narrar intrigas palacianas, as quais teria presenciado em lugar e momento privilegiados: no contexto em que a Corte portuguesa andava estacionada no Brasil, fugida de Napoleão Bonaparte. Se o documento tivesse restado perdido, e entregue à sua real dimensão, não haveria motivo para festejar a nova publicação, até agora considerada muito rara no Brasil. O problema é que o livro foi reproduzido inúmeras vezes, e transformou-se na fonte fundamental para entender essa personagem polêmica chamada Carlota Joaquina, bem como o movimento do Carlotismo.
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