Caneta preta para política e azul para histórias
Há quatro décadas Amos Oz é conhecido em Israel e em todo o mundo por duas de suas características: sua visão política ardentemente liberal e a observação íntima presente na sua ficção. Ele sempre insistiu que se tratam de coisas distintas, e de fato assim parecem ser. Seus romances e contos não são alegorias do conflito palestino, mas histórias profundamente humanas de ambiguidade e melancolia. Os ensaios políticos, por sua vez, expõem argumentos com transparência completa. Uma das maneiras pelas quais ele mantém a separação entre as duas formas de escrita é a utilização de canetas de cores diferentes – uma preta e uma azul – que repousam na sua escrivaninha neste escritório repleto de livros na sua casa nesta cidade desértica. “Eu nunca confundo as duas”, diz ele a respeito das canetas. “Uma serve para mandar o governo ao inferno. A outra é para contar histórias.”
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