O poeta que operou no tempo mítico
É um paradoxo. Ao mesmo tempo em que o leitor não consegue se afastar da leitura de Entremilênios (Perspectiva, 254 pp., R$ 55), coletânea de poemas de Haroldo de Campos (1929- 2003) organizada por sua viúva, Carmen de P. Arruda Campos, o livro parece feito sob medida para ser fruído com vagar, de modo a permitir a pesquisa e a releitura dos diversos poetas a que o autor, em sua impressionante erudição, alude nas páginas da obra. A poesia de Haroldo de Campos é melopaica, musical, mas se dobra ao jogo logopaico, de ideias entre as palavras – para usar a terminologia cunhada por Ezra Pound (1885-1972) -, além de ser atraída a cruzar as fronteiras das linguagens. Entremilênios explora as múltiplas facetas do discurso poético verbal: plasticidade, potência argumentativa da narração, versos de circunstância e a releitura de mitos clássicos.
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