Will Self cria obra ambiciosa
A sapiência dos taxistas é um lugar comum da metrópole que se tornou universal. Narradores anônimos e comentaristas sempre aptos a expressarem opiniões nunca solicitadas, motoristas são notórias fontes de informação não fiável. O tempo, o comportamento, o hit do momento, nada lhes escapa. Com Dave Rudman, taxista que dá título ao novo romance de Will Self, O livro de Dave (Alfaguara, 451 pp., R$ 59,90 – Trad.: Cássio de Arantes Leite), não é diferente. A grande narrativa social dos dias atuais é tecida por vozes esgarçadas entre a política e a psicanálise, já defendeu o argentino Ricardo Piglia. É possível que a roda das ideias fixas à qual taxistas estão atados (ou quiçá, às quatro rodas fixas) contribua para a distorção cotidiana da realidade propagada aos passageiros. Ninguém sofre mais com os perigos da raiva frente ao semelhante decorrente dos males do trânsito do que sujeitos que passam 24 horas imersos no engarrafamento.
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