Para poder sobreviver ao inevitável
O filme “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci (2006), conta a história de um índio chamado Carapiru, que teve toda sua família massacrada por jagunços. Correndo em fuga pela selva, Carapiru passou dez anos vagando pelo país, desorientado, em busca de sua identidade, mas usando com inteligência suas habilidades e conhecimentos para sobreviver no interior do Brasil, escondendo-se dos brancos, até ser acolhido por uma família de caboclos. O diretor procura reencenar essa história em seu filme, com a participação do próprio Carapiru fazendo o papel dele mesmo. Carapiru poderia ser um personagem de Recomeços: 26 pessoas contam como lidaram com a mudança em suas vidas (Saraiva/Versar, 160 pp., preço a definir), de Lina de Albuquerque. O livro é feito de depoimentos de pessoas que em algum momento tiveram que reinventar, diante de fatalidades ou decisões, a vida amorosa, pessoal, espiritual. Gente variada: pobres, empregados, atletas, jornalistas, anônimos, ricos e celebridades, mas que tiveram experiências que lembram a de Carapiru.
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