A teologia da obamização
O fim da era Bush deveria resultar, pela lógica da guinada eleitoral nos Estados Unidos, no fim da sobreposição das esferas religiosa e política naquele país. Afinal, Barack Obama foi alçado ao poder por projetar uma imagem que corresponde ao avesso de George Bush, e uma das marcas do ex-presidente era exatamente a de embaralhar assuntos espirituais com interesses de Estado. A dissociação entre governo e igrejas, no entanto, não está no horizonte, como se argumenta em Uma nação com alma de igreja – Religiosidade e políticas públicas nos EUA (Paz e Terra, 290 pp., R$ 36), que será lançado na semana que vem. Para Carlos Eduardo Lins da Silva, organizador do volume e um dos autores, o presidente Obama não deverá desmontar o aparato religioso que o governo Bush incrustou no Estado americano. O que muda, claro, é o viés ideológico da igreja com acesso franqueado à Casa Branca. Saem os conservadores, entram os progressistas.
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