Retrato dos artistas quando jovens
Não me resta dúvida de que a literatura brasileira contemporânea viveu um péssimo momento nos últimos anos. No entanto, também me parece claro que aos poucos a situação tem melhorado e, resta-nos torcer, se o ritmo for mantido talvez em alguns anos tenhamos novamente um conjunto de autores menos preocupados com o marketing e a imagem pessoal, ocupando-se sobretudo com a literatura. Um bom argumento para demonstrar esse ressurgimento da qualidade (e com ela da nossa esperança) é a publicação recente de livros de autores ou inéditos ou afastados do mainstream. Em Porto Alegre, a Não Editora, recém-criada, tem colocado nas livrarias algumas surpresas bastante agradáveis. Duas delas, dos últimos meses, são os livros O professor de botânica (128 pp., R$ 22), de Samir Machado de Machado, e Areia nos dentes (144 pp., R$ 25), de Antônio Xerxenesky. Os dois estão afastados completamente da publicidade e seus textos não deixam entrever a enorme concessão técnica e ideológica que começou a ser feita na nossa literatura.
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