Um olhar quase local
Em 1979, a editora francesa AnneMarie Metailie buscava uma obra de domínio público para estrear as edições Metailie, que acabara de fundar. Foi então que descobriu, pela mão do escritor Jean Paul Duviols, o relato das viagens de Hans Staden, o alemão que fez a Europa descobrir os costumes indígenas do Brasil. A publicação, lançada sob o título de Nus, féroces et anthropophages (literalmente, “Nus, ferozes e antropófagos”), foi a primeira de muitas incursões da editora no universo brasileiro. Ao longo de 30 anos, Metailie, que teve aulas com Antonio Candido na universidade e já morou no Brasil, lançou na França diversos autores nacionais clássicos (como Euclides da Cunha e Lucio Cardoso) e contemporâneos (Bernardo de Carvalho, Mario Sabino e Luiz Ruffato, entre outros), além de ser responsável pela redescoberta dos franceses por Machado de Assis, com a publicação de novas traduções do Bruxo de Cosme Velho, em 1982. Enquanto o governo francês ajuda financeiramente grandes editoras para mostrar aos brasileiros a nova cara da sua literatura, Metailie aposta no caminho inverso, firmando-se como uma das empresas que mais publicam autores brasileiros (e de língua portuguesa geral) em seu país.
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