Uma senhora literatura
Ela surge vestida de preto, o sorriso aprisionado. E, de certo modo, (bem) acompanhada. “Clarice Lispector sempre me dizia: “Lygia, não sorria nas fotos porque ninguém leva a sério escritoras que riem?”, recorda, enquanto luta contra a indisfarçável felicidade ao posar para as fotos desta reportagem. “Ela também me aconselhava a só trajar roupas pretas, pois inspiram mais respeito”, completa. Em poucos minutos, porém, Lygia Fagundes Telles entrega os pontos. E se revela por inteiro: abre um sorriso que brinca em torno das bordas de sua boca, ameaçando materializar-se diante da mínima provocação. Quando enfim se espalha por seu rosto, lenta e tranquilamente, faz dessa senhora, que no domingo completou 86 anos, uma mulher encantadora. Nesta semana, todas as outras luzes vão se voltar em sua direção. Na quarta-feira, a Companhia das Letras envia para as livrarias a primeira fornada da nova edição de Antes do baile verde (1970), As meninas (1973), Invenção e memória (2000), as três obras que marcam oficialmente a sua transferência para a editora paulista, depois de sete anos na carioca Rocco.
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